Sensoriamento Remoto
O artigo que deu origem ao NDVI: Rouse et al. (1973)
30 de outubro de 2026
Praticamente todo mundo que trabalha com imagens de satélite usa o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) em algum momento — para acompanhar lavoura, mapear desmatamento, monitorar seca. O índice nasceu de um problema bem específico: como medir, de forma consistente e em grande escala, a quantidade de vegetação viva nas pastagens das Grandes Planícies americanas, usando as primeiras imagens do satélite ERTS-1 (depois rebatizado Landsat 1).
Rouse, Haas, Schell e Deering, pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Texas A&M, apresentaram a solução no Terceiro Simpósio ERTS, promovido pela NASA em 1973 (publicado nos anais em 1974, no volume NASA SP-351). O método parte de duas bandas espectrais do sensor MSS do ERTS-1 — a banda 5 (vermelho) e a banda 7 (infravermelho próximo) — corrigidas para o ângulo solar, e calcula uma razão entre elas que se correlaciona com a biomassa verde acima do solo.
A lógica por trás é simples e ainda é a mesma usada hoje: vegetação saudável absorve luz vermelha (para fotossíntese) e reflete fortemente o infravermelho próximo; solo exposto ou vegetação estressada faz o oposto, refletindo mais no vermelho e menos no infravermelho. Normalizar essa diferença pela soma das duas bandas — a fórmula (NIR − Vermelho) / (NIR + Vermelho) — produz um índice que varia de forma previsível com a condição da vegetação, e que é menos sensível a variações de iluminação do que usar uma banda isolada.
O contexto original era bem concreto: o projeto corredor das Grandes Planícies usava a vegetação natural como indicador fenológico — um jeito de acompanhar o avanço das estações e os efeitos do clima sobre o crescimento regional, numa região de pastagem extensa demais para monitorar a campo. Mais de cinco décadas depois, o mesmo raciocínio segue por trás de boa parte do monitoramento agrícola e ambiental por satélite — inclusive do tipo que fazemos aqui na BDGeo, hoje com Sentinel-2 em vez do ERTS-1, mas com o mesmo princípio espectral na base.
Referência
ROUSE, J.W.; HAAS, R.H.; SCHELL, J.A.; DEERING, D.W. Monitoring vegetation systems in the Great Plains with ERTS. In: THIRD EARTH RESOURCES TECHNOLOGY SATELLITE-1 SYMPOSIUM, 1973, Greenbelt. Proceedings [...]. Washington: NASA, 1974. (NASA SP-351), p. 309-317.